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COLUNISTAS

Envelhecer: o poder do afeto na fase mais crítica da vida

23/06/2026 22h33 | Atualizada em 23/06/2026 22h33 | Por: Marcos Madeira

O Brasil está envelhecendo rapidamente. Esse fenômeno demográfico traz consigo um dos maiores desafios da nossa atualidade, tanto para o poder público quanto para as famílias: o cuidado com a saúde mental na terceira idade. 

De acordo com o Censo 2022, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em doze anos. Já a população idosa com 60 anos ou mais chegou a 32,1 milhões de pessoas, 15,8% da população do país. O aumento é de 56% em relação a 2010, quando era de 20,5 milhões (10,8%). 

Condições como o Alzheimer e outras demências frequentemente acometem nossos idosos, transformando a rotina e inaugurando o momento mais crítico da jornada familiar. É nessa hora difícil que a teoria dá lugar à urgência do coração.

A psicologia nos ensina que o adoecimento psíquico ou cognitivo jamais apaga a história de um indivíduo. Por trás do esquecimento ou da confusão, existe alguém que já trabalhou, sonhou e doou sua força para construir o nosso país e as nossas próprias vidas. Como bem afirmava o psicólogo Carl Rogers: “O toque humano, a escuta empática e o acolhimento incondicional têm o poder de alcançar e curar aquilo que a medicina sozinha não consegue”. 

Sob a ótica psicológica, o manejo dessas condições vai muito além dos medicamentos. O tratamento mais eficaz e humano reside na preservação da dignidade do idoso. Para a ciência da mente, o afeto é terapêutico. Quando a comunicação verbal falha, o vínculo se reconstrói pelo olhar, pelo toque e pela escuta empática. Estimular a autonomia possível, respeitar o tempo do idoso e validar suas emoções, mesmo quando parecem desconexas, são práticas fundamentais que reduzem a ansiedade e devolvem o senso de valor próprio.

Sentir-se amado, seguro e respeitado é uma necessidade essencial que nunca envelhece. Contudo, a psicologia também lança um olhar atento e cuidadoso aos cuidadores. O peso emocional e físico de acompanhar o declínio de quem amamos é imenso. Por isso, a divisão dessa responsabilidade com políticas públicas eficientes e redes de apoios estruturadas é urgente em nossa sociedade.

Cuidar de quem já cuidou de nós não pode ser um ato de profunda solidão. Proteger nossos idosos com empatia e carinho é um dever social e moral. Eles nos deram o presente de hoje. Cabe a nós garantir que o futuro deles seja plenamente cercado de respeito. Que possamos lembrar que acolher a vulnerabilidade da velhice é, acima de tudo, honrar a nossa própria humanidade.

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