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Isenção de imposto de renda até R$ 5 mil: promessa cumprida ou ilusão fiscal?

Por Maurício Dobiez

Durante anos, o brasileiro viu a tabela do Imposto de Renda congelada, enquanto salários e preços subiam. O resultado foi perverso: milhões de trabalhadores que antes eram isentos passaram a pagar imposto, não porque enriqueceram, mas porque o Estado ignorou a realidade.

Agora, o governo tenta corrigir o erro com uma medida de grande apelo popular — isentar do IRPF quem ganha até R$ 5 mil por mês.

Na prática, isso representa o cumprimento de uma promessa de campanha e uma resposta tardia a mais de uma década de defasagem da tabela. Mas, como sempre, há um custo por trás de cada alívio fiscal.

A conta vem dos dividendos

Para compensar a perda de arrecadação, a proposta inclui a taxação de 10% sobre a distribuição de lucros e dividendos acima de R$ 50 mil por mês.

Ou seja, quem vive de lucros empresariais ou aplicações financeiras vai pagar parte da conta da nova isenção.

O discurso é de “justiça tributária”: quem ganha menos paga menos, quem ganha mais paga mais.

Mas, na prática, o risco é que se penalize justamente o empreendedor que gera empregos e reinveste no próprio negócio — aquele que sustenta a engrenagem da economia real.

Entre a promessa e a compensação

O governo tenta equilibrar duas forças opostas:

A pressão política de cumprir o que foi prometido ao eleitor: aliviar o peso sobre o trabalhador comum.

A necessidade fiscal de não abrir mão de arrecadação — o que leva a buscar novos alvos para tributar.

O resultado é um modelo que agrada à classe média baixa, mas preocupa empresários e investidores.

Mais uma vez, o país mexe na superfície do sistema, sem atacar o problema estrutural: o tamanho e o custo do Estado.

O verdadeiro desafio

Mas a reforma tributária que o Brasil precisa vai muito além de trocar quem paga a conta.

Precisamos de um sistema simples, previsível e que estimule quem produz.

Enquanto o foco estiver apenas em arrecadar mais para manter a máquina pública, o contribuinte continuará sendo o elo mais fraco — ora beneficiado, ora sacrificado.

Para refletir

“Quando o governo promete aliviar um lado, é porque já encontrou outro bolso para apertar.”

Maurício Dobiez
Maurício Dobiez

Empreendedor de sucesso, o colunista compartilha sua experiência e conhecimento para facilitar a vida de quem atua no mundo dos negócios

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MAURíCIO DOBIEZ