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COLUNISTAS

2026 não começa em janeiro; começa com planejamento

13/01/2026 22h00 | Atualizada em 13/01/2026 22h00 | Por: Maurício Dobiez

Todo início de ano traz a mesma sensação: agendas cheias, metas renovadas e a expectativa de que, desta vez, as coisas vão fluir melhor. O problema é que muitas empresas entram em janeiro repetindo exatamente o mesmo modelo de gestão do ano anterior. E, nesse cenário, 2026 não começa em janeiro. Ele começa — ou deveria começar — no planejamento feito antes.

O ambiente empresarial ficou mais complexo, mais caro e menos tolerante ao improviso. Custos sobem, margens apertam e decisões mal calculadas cobram seu preço rapidamente. Quem inicia o ano apenas reagindo ao que aparece, passa os meses seguintes apagando incêndios, enquanto concorrentes mais organizados avançam com previsibilidade e controle.

Esse desafio se intensifica com a reforma tributária, que já inicia sua implementação gradual em 2026 e começa, desde agora, a impactar o dia a dia do empresário. Mesmo que a transição seja longa, as decisões tomadas neste momento — estrutura societária, regime tributário, formação de preços e organização financeira — já precisam considerar o novo cenário. Ignorar esse movimento é correr o risco de fazer escolhas hoje que se tornarão custosas amanhã.

Planejar 2026 não é apenas definir metas de faturamento. É revisar processos, entender a real rentabilidade do negócio, simular impactos tributários, organizar fluxo de caixa e alinhar estratégia com a nova realidade econômica. Empresas que tratam o planejamento como prioridade ganham clareza para decidir; as que deixam para depois acabam sendo surpreendidas.

No fim das contas, o mercado não penaliza quem erra tentando crescer, mas pune quem insiste em operar sem direção. Em um ano que já começa com mudanças estruturais, planejamento deixou de ser diferencial. Passou a ser condição básica para continuar competitivo.

Planejar é importante. Agir agora é decisivo

22/12/2025 21h54 | Atualizada em 22/12/2025 21h55 | Por: Maurício Dobiez

Nas últimas semanas do ano uma cena se repete: empresas falando sobre planejamento, metas ambiciosas para o próximo ano e promessas de mudanças profundas a partir de janeiro.

O problema é que, na prática, muita coisa fica apenas no discurso. Planejamento que não vira ação ainda no ano corrente não é estratégia. É intenção.

Existe uma crença equivocada de que o planejamento começa em janeiro. Não começa. Janeiro é continuidade. Quem espera a virada do calendário para organizar a empresa já inicia o ano correndo atrás do prejuízo.

As empresas mais organizadas usam justamente as últimas semanas do ano para fazer o que a maioria evita: revisar números, ajustar processos, corrigir erros e tomar decisões que foram adiadas ao longo dos meses.

Planejar não é montar uma planilha bonita ou escrever metas genéricas. Planejar é escolher prioridades, cortar excessos e assumir compromissos reais. E isso exige ação — agora.

Enquanto muitos entram em “modo desligamento”, outros estão:

• revisando custos fixos

• organizando o fluxo de caixa

• identificando gargalos operacionais

• definindo poucas metas claras e executáveis

• encerrando pendências que se arrastaram o ano inteiro

São ações simples, mas extremamente estratégicas. Pequenos ajustes feitos em dezembro evitam grandes problemas em março.

Vale lembrar: grandes mudanças raramente acontecem de uma vez. Elas começam com decisões pequenas, feitas no momento certo. E o momento certo, muitas vezes, é antes de o ano acabar.

Empresas que entram em janeiro “organizando a casa” já começaram atrasadas. As que entram com clareza, direção e algumas decisões já tomadas largam na frente.

Encerrar o ano com planejamento é importante. Encerrar o ano com planejamento em prática é o que separa quem apenas espera resultados de quem constrói resultados.

Porque, no fim das contas, o mercado não recompensa quem promete. Recompensa quem executa.

Desejo a todos um Feliz Natal, com reflexão e equilíbrio, e um próspero Ano Novo, com decisões conscientes, planejamento aplicado e muita execução.

O ano só muda quando você muda a direção

02/12/2025 22h26 | Atualizada em 02/12/2025 22h26 | Por: Maurício Dobiez

Dezembro sempre chega com a mesma sensação: um misto de alívio, exaustão e promessa.

Empresários de todos os setores dizem a frase mais repetida do mundo dos negócios: “ano que vem vai ser diferente”. Mas a verdade é mais dura: o ano não muda porque o calendário virou. O ano muda porque você muda a direção.

2025 foi um ano de contrastes. Tivemos crescimento em alguns setores, retração em outros, instabilidade política, mudanças tributárias, aumento na competitividade e, principalmente, ambiente empresarial mais exigente do que nunca.

Hoje, qualquer negócio precisa ser rápido, organizado e estratégico — não dá mais para viver apenas de improviso e força de vontade. E é aí que muitos empresários se complicam. Trabalham demais, dormem de menos, resolvem tudo ao mesmo tempo e, mesmo assim, têm a sensação de que a empresa “anda, mas não sai do lugar”. Não falta esforço. Falta método.

O improviso pode até te trazer até aqui. Mas é o planejamento que te leva adiante. Estamos às portas de 2026, e este é o melhor momento do ano para encarar uma pergunta que poucos têm coragem de responder com sinceridade: A sua empresa está pronta para o próximo ano? Pronta de verdade:

— Com metas claras?

— Com equipe alinhada?

— Com processos funcionando?

— Com indicadores vivos?

— Com rotinas estruturadas?

— Com estratégia definida?

Ou você está apenas torcendo para que as coisas melhorem? A diferença entre quem cresce e quem sofre em 2026 estará em uma única palavra: direção.

Planejamento não é luxo. Não é “frescura de empresa grande”. É o básico bem-feito que 90% das pequenas e médias empresas ignoram — e é exatamente por isso que tantas ficam pelo caminho. Fazer planejamento estratégico é olhar para três dimensões fundamentais:

1. Onde estamos? Diagnosticar o momento atual sem mascarar a realidade.

2. Para onde queremos ir? Definir metas possíveis, claras e mensuráveis.

3. O que precisamos fazer para chegar lá? Traçar estratégias, projetos e rotinas semanais.

O grande erro não é não planejar. É planejar e não executar. Planejamento que não vira rotina vira enfeite. E empresa sem direção é refém da urgência. Por isso, antes de entrar em 2026, faça um compromisso com você mesmo: escolha parar, pensar, organizar, definir prioridades e alinhar sua equipe. Planejar dá trabalho — mas o trabalho sem planejamento custa muito mais caro. 
2026 pode ser o melhor ano da sua empresa... ou apenas mais um ano. A diferença estará na forma como você começa.

Isenção de imposto de renda até R$ 5 mil: promessa cumprida ou ilusão fiscal?

18/11/2025 23h21 | Atualizada em 18/11/2025 23h21 | Por: Maurício Dobiez

Durante anos, o brasileiro viu a tabela do Imposto de Renda congelada, enquanto salários e preços subiam. O resultado foi perverso: milhões de trabalhadores que antes eram isentos passaram a pagar imposto, não porque enriqueceram, mas porque o Estado ignorou a realidade.

Agora, o governo tenta corrigir o erro com uma medida de grande apelo popular — isentar do IRPF quem ganha até R$ 5 mil por mês.

Na prática, isso representa o cumprimento de uma promessa de campanha e uma resposta tardia a mais de uma década de defasagem da tabela. Mas, como sempre, há um custo por trás de cada alívio fiscal.

A conta vem dos dividendos

Para compensar a perda de arrecadação, a proposta inclui a taxação de 10% sobre a distribuição de lucros e dividendos acima de R$ 50 mil por mês.

Ou seja, quem vive de lucros empresariais ou aplicações financeiras vai pagar parte da conta da nova isenção.

O discurso é de “justiça tributária”: quem ganha menos paga menos, quem ganha mais paga mais.

Mas, na prática, o risco é que se penalize justamente o empreendedor que gera empregos e reinveste no próprio negócio — aquele que sustenta a engrenagem da economia real.

Entre a promessa e a compensação

O governo tenta equilibrar duas forças opostas:

A pressão política de cumprir o que foi prometido ao eleitor: aliviar o peso sobre o trabalhador comum.

A necessidade fiscal de não abrir mão de arrecadação — o que leva a buscar novos alvos para tributar.

O resultado é um modelo que agrada à classe média baixa, mas preocupa empresários e investidores.

Mais uma vez, o país mexe na superfície do sistema, sem atacar o problema estrutural: o tamanho e o custo do Estado.

O verdadeiro desafio

Mas a reforma tributária que o Brasil precisa vai muito além de trocar quem paga a conta.

Precisamos de um sistema simples, previsível e que estimule quem produz.

Enquanto o foco estiver apenas em arrecadar mais para manter a máquina pública, o contribuinte continuará sendo o elo mais fraco — ora beneficiado, ora sacrificado.

Para refletir

“Quando o governo promete aliviar um lado, é porque já encontrou outro bolso para apertar.”

Nem a Netflix escapou: o imposto brasileiro virou o verdadeiro vilão da temporada

28/10/2025 21h27 | Atualizada em 28/10/2025 21h27 | Por: Maurício Dobiez

A Netflix teve um ano espetacular. Crescimento de 17%, receita recorde, milhões de novos assinantes. Tudo caminhava para mais um final feliz — até o roteiro brasileiro mudar o desfecho.

Na última divulgação de resultados, a empresa revelou uma despesa inesperada de US$ 619 milhões relacionada a uma disputa tributária no Brasil. O impacto foi tão grande que, mesmo com lucros e faturamento em alta, as ações despencaram quase 10% em Wall Street.

O motivo? Um velho conhecido de quem empreende por aqui: a CIDE-Tecnologia, contribuição federal cobrada sobre remessas de serviços e tecnologia para o exterior. Na prática, o Brasil entendeu que a Netflix deveria pagar imposto sobre boa parte do que envia à sua matriz — e a conta veio retroativa.

Quando o sucesso vira punição

É curioso observar como, no Brasil, crescer é quase uma provocação ao sistema tributário.

Empresas de tecnologia, inovação e streaming são celebradas pela capacidade de gerar valor, mas logo descobrem que, no nosso enredo, quem fatura mais também atrai mais burocracia, interpretações duvidosas e surpresas fiscais.

O caso da Netflix mostra o custo de operar em um país que ainda trata o contribuinte como inimigo. O imposto não é o problema — o problema é a imprevisibilidade, a insegurança jurídica e a falta de coerência entre o que o Estado cobra e o que entrega.

O reflexo no mercado

Quando uma gigante global é surpreendida por uma cobrança retroativa de centenas de milhões, o recado para investidores é claro:

“Se até a Netflix sofre com a confusão tributária brasileira, imagine o pequeno empresário.”

E é isso que derruba a confiança, afasta investimentos e trava o crescimento. O Brasil precisa entender que segurança jurídica não é luxo — é o mínimo para quem quer empreender e gerar riqueza.

No fim das contas

O imposto é necessário. O que não é aceitável é o roteiro de terror fiscal que empresas enfrentam por aqui.

O caso da Netflix é simbólico: mostra que nem o gigante do streaming escapou do nosso labirinto tributário.

E se até quem tem bilhão em caixa sofre para entender o fisco brasileiro, que dirá o empreendedor que tenta sobreviver com um CNPJ e um sonho.

Lição para o Brasil

“Enquanto o Estado enxergar arrecadação como fim — e não como meio —, sempre teremos histórias de sucesso interrompidas pela burocracia.”

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