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COLUNISTAS

Disciplina: o elo entre quem levanta a taça e quem constrói empresas

16/06/2026 22h40 | Atualizada em 16/06/2026 22h40 | Por: Maurício Dobiez

Estamos vivendo mais uma Copa do Mundo. Durante algumas semanas, milhões de pessoas acompanharão jogos, torcerão por suas seleções e assistirão atletas disputando o maior palco do futebol mundial. Veremos gols, comemorações, entrevistas e histórias que ficarão marcadas para sempre.

Mas existe uma parte da trajetória desses atletas que raramente aparece na televisão. Ninguém vê os treinos antes do amanhecer. Ninguém acompanha as horas de preparação física, a alimentação controlada, as lesões superadas, os finais de semana sacrificados ou os inúmeros convites recusados para que o foco permanecesse no objetivo principal.

O que leva um atleta a disputar uma Copa do Mundo não é apenas talento. É disciplina.

E talvez essa seja uma das maiores lições que o esporte pode oferecer ao mundo dos negócios. Muitos empresários admiram empresas bem-sucedidas da mesma forma que admiram os grandes craques do futebol. Observam o resultado final, o crescimento, os números e o reconhecimento conquistado. Mas poucos enxergam o que aconteceu nos bastidores.

Não veem as noites mal dormidas, as decisões difíceis, os investimentos feitos com cautela, os erros corrigidos ao longo do caminho e, principalmente, os inúmeros “nãos” que precisaram ser ditos para que o objetivo maior fosse alcançado.

O atleta precisa dizer não para excessos. O empresário precisa dizer não para gastos desnecessários. O atleta segue um plano de treinamento. O empresário precisa seguir um planejamento.

O atleta acompanha indicadores de desempenho. O empresário precisa acompanhar indicadores financeiros e operacionais.

A verdade é que motivação é passageira. Disciplina é permanente. E é justamente nesse ponto que muitos projetos, empresas e sonhos acabam ficando pelo caminho.

Nenhum atleta chega a uma final de Copa do Mundo por acaso. Da mesma forma, nenhuma empresa constrói uma trajetória sólida apenas pela sorte.

Por trás de cada conquista existem hábitos. Por trás de cada hábito existem escolhas. E por trás de cada escolha existe disciplina.

Talvez por isso uma das perguntas mais importantes deste mês de junho não esteja relacionada ao futebol.

A pergunta é: você está vivendo como um torcedor que apenas espera a vitória ou como um atleta que se prepara diariamente para conquistá-la?

Porque, no fim das contas, tanto nos gramados quanto nos negócios, as maiores conquistas pertencem àqueles que conseguem fazer todos os dias aquilo que precisa ser feito, mesmo quando ninguém está olhando. E é exatamente essa disciplina silenciosa que, um dia, permite levantar a taça.

Junho chegou: o que você fez com os primeiros 6 meses do ano?

02/06/2026 22h55 | Atualizada em 02/06/2026 22h55 | Por: Maurício Dobiez

Chegamos ao mês de junho. Para muitos, é apenas mais uma folha virada no calendário. Para outros, é um alerta silencioso de que metade do ano já ficou para trás.

Lá em janeiro, era comum ouvir frases como: "Este será o meu ano", "Agora vai", "Vou crescer", "Vou organizar minhas finanças", "Minha empresa vai alcançar novos resultados". Metas foram escritas, planejamentos foram elaborados e expectativas foram criadas.

Mas a pergunta que junho nos faz é simples e direta: o quanto daquilo que foi planejado realmente saiu do papel?

Essa reflexão não deve ser encarada como um julgamento, mas como uma oportunidade. Afinal, gestão não é apenas definir objetivos. Gestão é acompanhar indicadores, medir resultados, corrigir desvios e, quando necessário, mudar a rota.

Muitas pessoas acreditam que planejamento é um documento elaborado no início do ano e guardado em uma gaveta. Na prática, os melhores planejamentos são aqueles que passam por revisões periódicas. O mercado muda, as circunstâncias mudam, surgem novas oportunidades e também novos desafios. Insistir em um caminho que não está funcionando apenas porque ele foi definido em janeiro pode ser tão prejudicial quanto não ter planejamento algum.

Empresas de alta performance costumam realizar revisões trimestrais e semestrais de seus objetivos. Elas analisam o que foi alcançado, o que ficou para trás, quais obstáculos apareceram e quais ações precisam ser ajustadas para que os resultados aconteçam.

O mesmo vale para a vida pessoal. Como estão as metas financeiras? Como está a saúde? O desenvolvimento profissional? O tempo dedicado à família? Muitas vezes, o problema não está na meta definida, mas na falta de acompanhamento ao longo da caminhada.

Junho é um excelente momento para fazer um balanço. Não para lamentar o que não foi feito, mas para identificar o que ainda pode ser realizado nos próximos seis meses.

Talvez algumas metas precisem ser reforçadas. Talvez outras precisem ser ajustadas. E talvez algumas precisem ser abandonadas para dar espaço a objetivos mais relevantes diante da realidade atual.

O importante é compreender que ainda existem seis meses pela frente. Tempo suficiente para recuperar resultados, implementar mudanças, criar novos hábitos e construir conquistas significativas.

O sucesso raramente acontece por acaso. Ele é consequência de planejamento, execução, acompanhamento e capacidade de adaptação.

Portanto, antes de iniciar o segundo semestre, reserve algumas horas para revisar o seu ano. Analise seus números, seus projetos e suas prioridades. Pergunte a si mesmo onde está, onde queria estar e o que precisa fazer para diminuir essa distância.

O calendário mostra que metade do ano passou. Mas a outra metade ainda está esperando pelas decisões que você tomará a partir de agora.

Aposta tributária: o risco escondido na antecipação do Simples Nacional

19/05/2026 23h38 | Atualizada em 19/05/2026 23h38 | Por: Maurício Dobiez

Durante anos, a escolha do regime tributário no Brasil foi uma decisão importante, mas relativamente previsível no calendário empresarial. Contadores, empresários e gestores tinham praticamente o ano inteiro para analisar números, entender tendências e projetar cenários antes de decidir entre Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real.

O cenário começa a mudar - e talvez em um dos momentos mais delicados da história tributária do país. A antecipação da opção do Simples Nacional para setembro surge em meio à implementação da Reforma Tributária. E é aqui que mora o problema.

Enquanto empresas ainda tentam compreender os impactos da CBS, da futura substituição do PIS e da Cofins e das mudanças estruturais no modelo de arrecadação, o governo reduz o tempo de maturação para uma decisão estratégica que afeta fluxo de caixa, margem de lucro, formação de preço e competitividade.

Na prática, muitas empresas terão que decidir “no escuro”. E esse talvez seja o ponto mais preocupante.

Planejamento tributário sério nunca foi simplesmente escolher o regime que aparentemente paga menos imposto. Uma análise responsável envolve margem operacional, perfil de clientes, possibilidade de aproveitamento de créditos, folha de pagamento, crescimento projetado, cadeia de fornecedores, estrutura societária e comportamento do mercado. Com a Reforma Tributária, esse cuidado precisará ser ainda maior.

A lógica tributária brasileira está mudando. O sistema baseado em cumulatividade, distorções e inúmeras interpretações começa a dar espaço para um modelo mais focado em crédito financeiro, transparência e incidência ampla sobre consumo. Isso altera setores inteiros da economia.

O empresário que antes analisava apenas “quanto paga hoje” precisará começar a analisar “como sua operação funcionará amanhã”. E essa mudança exige tempo, estudo, projeção, planejamento.

Antecipar a escolha do Simples Nacional em um ambiente de transição tão intenso pode transformar uma decisão técnica em aposta empresarial. E apostas raramente combinam com gestão financeira saudável.

Talvez 2026 fique marcado como o ano em que planejamento tributário deixou de ser diferencial e passou a ser questão de sobrevivência estratégica. Porque, no novo cenário tributário brasileiro, errar o enquadramento pode custar muito mais caro do que pagar imposto.

Novo Pronampe: oportunidade ou armadilha?

12/05/2026 21h42 | Atualizada em 12/05/2026 21h42 | Por: Maurício Dobiez

Nos últimos dias, o Governo Federal anunciou novas medidas dentro do programa de crédito para micro e pequenas empresas, e a manchete naturalmente chama atenção: “Empresas poderão acessar até R$ 500 mil em crédito”. 

Em um país onde muitas empresas sobrevivem no limite do caixa, uma notícia como essa desperta interesse. Mas existe um ponto importante que o empresário precisa entender: crédito não resolve problema de gestão. Crédito apenas compra tempo. E saber usar esse tempo pode definir quem cresce e quem apenas adia uma crise.

O chamado “novo Pronampe”, dentro das medidas ligadas ao Desenrola para empresas, trouxe mudanças relevantes: mais prazo, mais carência, maior tolerância para inadimplência e ampliação dos limites de crédito. Na prática:

* empresas podem ter até 24 meses de carência;

* prazo total chegando a 96 meses;

* tolerância maior para atrasos;

* e operações que podem alcançar até R$ 500 mil, dependendo do porte e análise bancária.

O governo também ampliou o uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que reduz parte do risco dos bancos e facilita a concessão do crédito.

Mas aqui começa a parte que pouca gente fala. Muitos empresários confundem acesso a crédito com geração de lucro. E são coisas diferentes.

Se uma empresa já opera com:

* margem apertada;

* descontrole financeiro;

* precificação errada;

* despesas desorganizadas;

* ou dependência de capital de terceiros... o crédito apenas prolonga um problema que já existe. É como colocar combustível em um carro desalinhado: ele continua andando... mas continua desgastando.

Por outro lado, empresas organizadas podem transformar esse movimento em estratégia.

Trocar dívidas caras por linhas mais longas, reorganizar fluxo de caixa, preservar capital de giro e ganhar fôlego para investir pode fazer total sentido — principalmente em um cenário de juros elevados e desaceleração econômica. O empresário inteligente não olha apenas para “quanto consegue pegar”.

Crédito saudável é ferramenta de crescimento. E talvez essa seja a maior reflexão do novo Pronampe: o problema nunca foi apenas acesso ao dinheiro. O verdadeiro desafio continua sendo gestão.

Você tem uma equipe… ou apenas um bando?

05/05/2026 22h04 | Atualizada em 05/05/2026 22h04 | Por: Maurício Dobiez

Nem todo grupo de pessoas trabalhando junto pode ser chamado de equipe. A cena é comum: gente entrando e saindo, reuniões acontecendo, mensagens sendo trocadas o tempo todo. Existe movimento, existe esforço, existe até boa intenção. Mas, no fim do dia, o resultado não acompanha.

E então vem a pergunta que poucos fazem — ou evitam responder com honestidade: isso é uma equipe… ou apenas um bando?

O bando também trabalha. O bando também se comunica. O bando também se esforça. Mas faz tudo isso sem direção clara, sem responsabilidade compartilhada e, principalmente, sem alinhamento. Cada um resolve o que está ao seu alcance, da sua forma, no seu tempo. O problema é que, nesse modelo, o todo nunca é maior que as partes — ele é apenas a soma de esforços desconectados.

Já a equipe é outra lógica. Equipe não é sobre proximidade, é sobre alinhamento. Não é sobre ter pessoas boas, é sobre ter pessoas conectadas a um objetivo comum, com papéis definidos, metas claras e responsabilidade que não pode ser transferida. Em uma equipe de verdade ninguém “ajuda” o resultado — todos são responsáveis por ele.

E aqui está o ponto que mais incomoda: na maioria das vezes, o problema não está nas pessoas.

Empresários costumam buscar mais gente, mais contratação, mais estrutura… quando, na prática, ainda não transformaram o que já têm em uma equipe de verdade. Falta clareza de meta. Falta rotina. Falta medição. Falta liderança que organize, cobre e direcione.

Sem isso, qualquer grupo — por melhor que seja — vira um bando bem-intencionado. E o risco do bando é silencioso. Porque ele dá a sensação de funcionamento. Existe atividade, existe barulho, existe esforço. Mas não existe consistência. Não existe previsibilidade. E, principalmente, não existe crescimento sustentável.

Transformar um bando em equipe não exige, necessariamente, mais pessoas. Exige mais direção.

Exige definir o que precisa ser feito, quem é responsável por cada etapa e como o resultado será medido. Exige estabelecer padrão, criar rotina e, acima de tudo, sustentar isso com liderança.

No final, a diferença é simples — mas decisiva: gente junta gera movimento. Gente alinhada gera resultado.

E empresa que cresce não é a que tem mais gente. É a que tem mais equipe.

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