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Negócios que atravessam fronteiras não competem por preço

Por Maurício Dobiez

Há um movimento silencioso que diferencia o empresário comum daquele que realmente constrói vantagem competitiva: a decisão de sair do seu próprio ambiente para enxergar o jogo de fora.

Não se trata apenas de viajar. Trata-se de reposicionamento mental.

Quando um empresário cruza fronteiras, ele não está, necessariamente, buscando preço. Está buscando compreensão. Porque preço, no fim, é consequência de estrutura — e estrutura só se entende quando se observa a origem.

O mercado local tende a criar uma ilusão confortável: a de que aquilo que está disponível é o suficiente. 

Fora desse recorte, existem novos modelos produtivos, outras formas de negociação, escalas diferentes, margens estruturadas de maneira mais eficiente e, principalmente, uma mentalidade orientada à inovação contínua.

E aqui está o ponto central: inovação não é, necessariamente, tecnologia de ponta. É a capacidade de enxergar alternativas antes dos outros. É antecipar movimentos.

O empresário que se expõe a novos mercados começa a perceber padrões. Entende onde está o custo real, onde está o excesso, onde estão as ineficiências invisíveis que, no dia a dia, passam despercebidas.

Mais do que isso, ele passa a questionar o “sempre foi assim”.

E essa é, talvez, a pergunta mais perigosa — e mais poderosa — dentro de qualquer negócio.

Porque muitas estruturas empresariais não são mantidas por estratégia, mas por inércia.

Ao acessar novos ecossistemas, o empresário amplia seu repertório. E repertório, no mundo dos negócios, se traduz diretamente em margem.

Não por reduzir preço ao cliente, mas por redesenhar o custo de forma inteligente.

Há também um elemento menos tangível, porém decisivo: o senso de direção.

Quem enxerga o que está acontecendo fora consegue perceber tendências antes que elas se tornem óbvias. E, no mercado, o óbvio costuma chegar tarde — e caro.

Enquanto muitos ainda discutem como vender melhor, alguns já estão repensando o que vender, como produzir e, principalmente, de onde extrair valor.

Esse movimento exige desconforto. Exige sair da rotina operacional e investir tempo em algo que não gera resultado imediato, mas constrói uma vantagem que poucos conseguem replicar.

Porque, no fim, não se trata de acompanhar o mercado. Trata-se de entender para onde ele está indo — e chegar antes.

Maurício Dobiez
Maurício Dobiez

Empreendedor de sucesso, o colunista compartilha sua experiência e conhecimento para facilitar a vida de quem atua no mundo dos negócios

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