Com cerco histórico de 5 toneladas no Farol de Santa Marta, pescadores celebram boa temporada; secretário Abdon de Oliveira projeta alto faturamento
Foto: Divulgação A temporada de pesca da tainha em Laguna ultrapassou as expectativas iniciais e já se consolida como um dos períodos mais produtivos dos últimos anos para as comunidades pesqueiras do município.
Em entrevista exclusiva ao Folha Regional, o secretário de Pesca e Agricultura de Laguna, Abdon de Oliveira Vieira, fez um balanço entusiasmado sobre o andamento dos trabalhos nas águas locais. “A safra da tainha vem ocorrendo de forma positiva nas praias e lagoas de Laguna. As primeiras semanas registraram uma movimentação promissora”, destacou o chefe da pasta, lembrando, contudo, que o sucesso contínuo da atividade depende de fatores da natureza. “Lembrando sempre que a pesca artesanal depende fundamentalmente das condições do tempo, especialmente dos ventos que ajudam a trazer os cardumes para a nossa costa”.
O otimismo que se espalha pelas praias da Cidade Juliana é ratificado pelo contato diário da municipalidade com os trabalhadores do mar.
De acordo com o secretário, o volume de peixes que tem chegado às praias superou as projeções mais conservadoras. “Nas conversas diretas que realizamos nas comunidades, os pescadores demonstraram estar bem satisfeitos com o volume capturado”, revelou Vieira.
O grande ápice da safra até o momento ocorreu na Prainha do Farol de Santa Marta, um dos redutos tradicionais da pesca artesanal catarinense. “No dia 20, por exemplo, houve um cerco marcante de quase cinco toneladas de tainha na Prainha do Farol de Santa Marta”, celebrou o secretário. Ele fez questão de ressaltar o peso histórico e a preservação dos costumes locais que cercam esse tipo de captura: “É importante lembrar que, nessa localidade, a atividade mantém uma forte tradição cultural, sendo permitida apenas a modalidade de Arrasto de Praia, feita exclusivamente com canoa a remo”.
O cenário financeiro para os pescadores de Laguna também recebeu um importante fôlego nesta temporada devido às novas diretrizes de ordenamento pesqueiro estabelecidas pelo Governo Federal.
Segundo Abdon de Oliveira Vieira, as novas margens permitidas animaram o setor. “O aumento de cerca de 20% na cota global da tainha para este ano trouxe uma perspectiva econômica melhor para o setor”, explicou. Ele pontuou que, especificamente para a categoria de Emalhe Anilhado, a cota coletiva nacional foi fixada em 1.094 toneladas para este ano.
Contudo, a ampliação dos limites veio acompanhada de uma fiscalização tecnológica muito mais rigorosa, exigindo uma rápida adaptação das colônias de pescadores de Laguna. “A principal mudança prática nesta temporada é o monitoramento em tempo real feito pelo sistema PesqBrasil, do Governo Federal”, alertou o secretário. Diante do risco de um fechamento precoce da janela de pesca, a prefeitura montou uma força-tarefa de orientação. “Como as regras determinam que a pesca dessa modalidade deve ser interrompida assim que o painel atingir 85% da cota, a secretaria tem orientado os pescadores sobre a importância do reporte diário da pescaria”, detalhou Vieira.
Para garantir que o trabalhador de Laguna consiga aproveitar ao máximo a abundância de peixes no litoral, a Secretaria de Pesca e Agricultura estruturou um pacote de medidas de suporte às comunidades, abrangendo desde a segurança no mar até a facilitação burocrática.
Na área de salvamento, a prefeitura realizou a distribuição de geolocalizadores para apoiar os pescadores em situações de emergência.
No âmbito de infraestrutura, o município promoveu a instalação de tendas de apoio na Prainha e nos Molhes da Barra, especificamente na região da Tesoura, além de conceder a autorização de uso para três ranchos de pesca na Praia do Iró.
A logística pesqueira ganhou o reforço de um trator, disponibilizado pela municipalidade na Praia do Cardoso, com o objetivo de auxiliar os arrastos e a retirada pesada das redes de pesca da areia. Na ponta administrativa, a secretaria realizou cursos especializados e mutirões de orientação para desatar nós burocráticos, auxiliando os pescadores artesanais na emissão correta de notas fiscais de produtor rural.
A arrancada positiva de Laguna ajuda a consolidar a liderança histórica de Santa Catarina na atividade pesqueira do país. Dados do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) revelam que o volume total capturado pelas modalidades com monitoramento oficial em todo o estado já ultrapassou a expressiva marca de 200 toneladas nesta temporada. Desse montante estadual, 130,93 toneladas foram garantidas pelo emalhe anilhado e 81,9 toneladas foram puxadas por meio do tradicional arrasto de praia.
Além do sustento de centenas de famílias açorianas, a safra em Laguna desencadeia um ciclo econômico virtuoso no inverno. O cerco dos peixes nas areias da Cidade Juliana atrai milhares de turistas, gerando novos postos de trabalho temporários, movimentando os ranchos e impulsionando a gastronomia de inverno, a rede hoteleira e o comércio dos bairros litorâneos.