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COTIDIANO

CEI que apura compras irregulares da prefeitura avança em Capivari de Baixo; prefeito recusa depoimento

Comissão foi instaurada por decisão judicial e investiga contratos e licitações da prefeitura

Capivari de Baixo - SC, 22/01/2026 17h55 | Por: Redação Folha Regional
Divulgação/Folha Regional

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura possíveis compras irregulares da prefeitura de Capivari de Baixo entra em uma nova fase na próxima semana, com a oitiva de testemunhas. 

A Comissão, cujo abertura na Câmara de Vereadores foi determinada por decisão liminar da Justiça, investiga possíveis irregularidades nas compras do município para a celebração do 7 de Setembro.

Data das oitivas

As audiências estão marcadas para os dias 27 e 29 de janeiro e integram a investigação sobre supostas irregularidades em licitações e contratos da prefeitura.

A instauração da CEI ocorreu após decisão da Vara Única da Comarca de Capivari de Baixo, que entendeu que o presidente da Câmara, Marcelo Muraro, agiu em desacordo com a Constituição ao submeter ao plenário um requerimento que já atendia ao quórum mínimo constitucional de um terço dos vereadores.

O que está sendo investigado

A CEI apura possíveis irregularidades nos processos Pregão Eletrônico nº 34/PMCB/2025 e Dispensa de Licitação nº 24/2025. Os procedimentos resultaram no pagamento de R$ 30.130 a uma empresa cuja sócia-proprietária seria servidora da prefeitura.

Os contratos tratam da locação de equipamentos de sonorização, iluminação e demais estruturas físicas, incluindo serviços de montagem, operação e desmontagem para eventos realizados pelo município.

Audiências começam na próxima semana

As oitivas das testemunhas estão agendadas para a próxima semana, nos dias 27 e 29 de janeiro, com uma extensa lista de servidores públicos, gestores, empresários e representantes das forças de segurança.

No dia 27 de janeiro, estão previstas as oitivas de pregoeira, secretários municipais, servidores ligados às áreas de licitação, gestão e tributos e representantes de empresas contratadas.

No dia 29 de janeiro, serão ouvidos representantes do controle interno do município, servidores ligados à segurança do trabalho e oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

Depoentes convocados:

Dia 27 de janeiro:
•    Cahina Jussara Martins – Pregoeira – 08h
•    Samira Goulart Joaquim – Secretária Adjunta de Educação – 09h
•    Magali Pickler Isidoro Pereira – Secretária de Educação – 09h30
•    Tayne Martins Matias – Servidora (Licitações/Gestão) – 10h
•    Kelwyn Pilon Kuehl – Ex-Assessor Jurídico – 10h30
•    Edilon Borba Rodrigues – Procurador-Geral – 11h
•    Mara Rubia Hilsendeger Feuerschuette – Setor de Tributos – 11h30
•    Jéssica Vitório Fernandes – Assessora de Licitações e Contratos – 12h
•    Fabiano Moraes Bento – Somverio Sonorização e Eventos Ltda. – 13h30
•    Fabricio Eufrazio – BC Studio – 14h
•    Darlan Zim Bitencourt – Art Eventos – 14h30
•    Rosângela Florentino – Assessora Especial Legislativa – 15h
•    Carlos Alberto Zim – Beto Bola Eventos – 15h30
•    Felipe Goulart Corrêa – Secretário Adjunto de Gestão e Fazenda – 16h
•    Vilmar Batista Cardoso – Secretário de Gestão e Fazenda – 16h30
•    Claudir Antônio de Bittencourt – Prefeito Municipal – 17h

Dia 29 de janeiro:
•    Alessandra Pascoali – Controle Interno – 08h
•    Waldemar Pacheco Júnior – Coord. Câmara de Segurança do Trabalho – 09h
•    1º Sargento BM Fábio Claudino Ferreira – 09h30
•    Major BM Rafael Fortunato Camilo – 10h
•    1º Tenente PM Eduardo Bronchtein – 10h30

Prefeito é convocado, mas não comparecerá

De acordo com a Câmara, o ofício de convocação do prefeito Claudir Bittencourt (PL) levou quatro dias para ser entregue, devido à dificuldade de localizá-lo. A entrega só ocorreu quando o chefe do Executivo participou da solenidade de posse do novo comandante da Polícia Militar em Capivari de Baixo.

No entanto, no dia seguinte à entrega do documento, o prefeito encaminhou um ofício à Câmara informando que não comparecerá à oitiva. No texto, ele sustenta que a convocação é ilegal e inconstitucional, com base no artigo 50 da Constituição Federal e no princípio da simetria federativa.

Segundo o entendimento apresentado, prefeitos não podem ser convocados por comissões parlamentares de inquérito municipais, da mesma forma que o presidente da República não pode ser convocado por CPIs, por não serem autoridades diretamente subordinadas ao Poder Legislativo.

A convocação da CEI foi feita na condição de testemunha, e não de réu.

Encaminhamento do relatório

A CEI deve encerrar seus trabalhos no início de março. Após a conclusão, o relatório final será votado exclusivamente pelos membros da comissão e, em seguida, encaminhado ao Ministério Público.

O documento não precisará passar pelo plenário da Câmara de Vereadores.

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