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COTIDIANO

Mais leite à mesa? Aumento na produção gera queda nos preços

Produção leiteira começa a se recuperar, e a tendência é de novas reduções dos preços nos mercados nas próximas semanas

17/08/2022 11h27

O mês de agosto chegou com uma luz no fim do túnel para aqueles que tiveram de abrir mão do copo de leite com achocolatado ou para as mães que procuraram a criatividade na hora de preparar a mamadeira das crianças.

Nos últimos meses, o preço do leite superou o da gasolina e virou o assunto da vez. Aquele fardo com mais de 12 caixas de leite passou a ser artigo de luxo nos carrinhos de compras de dezenas de famílias ao superar patamares nunca antes alcançados, entre R$ 7 e R$ 10 o preço do litro.

De acordo com o engenheiro agrônomo da Epagri/Cepa (Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola) Tabajara Marcondes, a produção interna começa a se recuperar e a tendência é de que o preço do litro do leite tenha reduções significativas a partir das próximas semanas.

O vice-presidente Regional Sul da Associação Catarinense de Supermercados (Acats), Ricardo Pereira Althoff, reforça que no último mês o preço do litro do leite baixou cerca de R$ 0,30, com tendência de novas reduções nos próximos meses. “O consumo que havia caído bastante em termos de volume está se recuperando um pouco. As famílias estavam com dificuldade de pagar o leite a R$ 7, hoje está um pouco abaixo de R$ 5. Já podem voltar a consumir em maior volume. Alguns supermercados estão fazendo promoções para evidenciar essa redução nos preços”, destaca.

Por que o preço do leite disparou?

A população até hoje se questiona sobre o que teria provocado esse aumento repentino no preço do leite? O que alguns consumidores não sabem é que a crise no setor lácteo não surgiu de maneira súbita.

De acordo com o engenheiro agrônomo da Epagri/Cepa Tabajara Marcondes, nos últimos três anos uma série de fatores impactaram diretamente os produtores. O principal deles é a queda da produção interna por conta da alta dos insumos, como o milho – matéria-prima da ração que alimenta as vacas. Também pesaram na produção outros itens como suplementação mineral, fertilizantes e combustíveis.

O engenheiro agrônomo explica que é comum o preço do leite subir durante a entressafra, que vai de abril até junho - quando o clima mais seco prejudica a disponibilidade e a qualidade das pastagens. Porém, neste ano, lidar com a entressafra ficou ainda mais complicado para o produtor, com a estiagem, seguida do acúmulo de chuvas, e isso se refletiu nos preços nos mercados.

Ele afirma ainda que o primeiro semestre de 2022 bateu recorde de queda de produção interna do leite, com 9,1% a menos que no ano anterior. “Isso nunca aconteceu na história. Em 2014 e 2015 tivemos queda de produção, mas ficou em 2,5%. Neste ano a queda na produção leiteira foi tão acentuada que repercutiu na elevação dos preços até julho”, argumenta.

Boas expectativas no campo

Há menos de dois anos, Gilberto Nunes Teodoro, de 57 anos, que sempre trabalhou com plantação de arroz, encontrou na atividade leiteira uma nova fonte de renda.

Gilberto tem uma propriedade na região da Madre, em Tubarão, e há mais de 30 anos é rizicultor. Porém, percebeu que já era hora de investir na diversificação da atividade. Ele conheceu um produtor de leite de Braço do Norte, adquiriu algumas matrizes leiteiras da raça Jersey e está otimista em sua nova profissão.

O novo produtor conta que percebeu a alta no custo de produção, mas tem boas expectativas para os próximos meses. “Tivemos problema de estiagem e depois muita chuva. Foi da água para o vinho, e ficamos com custo alto. É uma profissão que tem que gostar. Apesar dos altos custos, percebo que hoje está viável investir no leite. Logo vou construir novos espaços aqui e adquirir mais matrizes”, diz o rizicultor, que começa a se acostumar com a rotina da ordenha duas vezes por dia. Ele comercializa a produção para um laticínio da região e está em transição para deixar a rizicultura e se dedicar totalmente à atividade leiteira. “Há muitos anos sou cooperado da Copagro e eles sempre nos incentivam a investir na diversificação da propriedade. Acredito que estou no caminho certo”, comenta.

Cerca de três mil famílias produzem leite de forma comercial na região Sul de Santa Catarina, segundo dados do IBGE. São quase 255 milhões de litros de leite produzidos anualmente na região com cerca de 80 mil vacas ordenhadas.

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