Diversos serviços têm sido executados para minimizar os efeitos das chuvas previstas, como a melhoria da macrodrenagem na Rua Aldo Hülse. A capacidade de escoamento foi ampliada com aduelas
Priscila Loch/Folha Regional A confirmação do El Niño e alertas de altos riscos de eventos climáticos, principalmente para o sul do país, trouxeram grande preocupação para a população. Tudo o que se sabe até o momento é que o fenômeno vai, sim, resultar em maiores quantidades de chuvas e afetar a estação mais fria do ano.
Diante da previsão, os municípios vêm reforçando ações para amenizar os efeitos de alagamentos, por exemplo. Em Tubarão, o trabalho inclui limpeza de córregos e valas, limpeza de bocas de lobo com caminhão hidrovácuo, melhorias na drenagem e macrodrenagem, investimento em estações elevatórias, substituição para facilitar o escoamento, entre outros serviços.
“Vai ser um El Niño bastante forte, com aumento da quantidade de chuva. Isso é fato. Entretanto, não é porque aumenta a quantidade de chuva que vai acontecer algum evento extremo ou desastre na região”, destaca o secretário de Proteção e Defesa Civil, Rafael Marques.
Uma das obras específicas que merece destaque foi a melhoria da macrodrenagem na Rua Aldo Hülse, às margens da linha férrea, no bairro Andrino. A capacidade de escoamento foi ampliada significativamente com a substituição de duas linhas de tubos de 0,80 metro por três linhas de aduelas de concreto, formando uma grande galeria subterrânea.
A Rua Rui Barbosa também deve ganhar uma galeria nas proximidades do trilho. O projeto já está pronto, mas ainda sem data definida para ser executado.
Também foi concluída a obra de enrocamento de taludes na margem esquerda do Rio Tubarão, ao longo da Avenida Getúlio Vargas, em um trecho de aproximadamente 400 metros de margem, ampliando a segurança da área e reforçando a proteção contra processos erosivos. A margem do rio estava descendo, com comprometimento do passeio e até da estrada.
“Basicamente, essas são as ações diretas que temos feito para minimizar os efeitos de chuvas intensas. Logicamente que, em termos de inundação, se o Rio Tubarão vir a transbordar, não tem muito o que fazer”, explica o secretário.
Tubarão tem um Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil que estabelece os protocolos para monitorar, alertar e responder a desastres como inundações, alagamentos e deslizamentos. O documento organiza as rotas de fuga, a localização dos mais de 30 abrigos e as responsabilidades de órgãos de segurança e saúde.
Com as previsões em torno do El Niño, o plano está em fase de atualização. As condições dos abrigos estão sendo revistas, inclusive com a elaboração de um processo licitatório para a compra de materiais para estes locais. “Em conjunto com a secretaria de Assistência Social, Mulher e Família, estamos preparando para que, se eventualmente acontecer algum caso extremo, esses abrigos estejam em condições”, relata o secretário de Proteção e Defesa Civil, Rafael Marques.
Também está em execução por uma empresa financiada pela Organização das Nações Unidas (ONU), segundo o secretário, um mapa do Plano Municipal de Redução de Risco. Na prática, o material vai indicar mais detalhadamente as áreas de risco do município. A conclusão do trabalho, entretanto, está prevista para ocorrer somente no final deste ano ou início do próximo.
Iniciados na última semana, os trabalhos de limpeza e revitalização do Rio da Madre são vistos como imprescindíveis para amenizar os problemas em períodos de chuvas intensas. A retirada de vegetação e recuperação das condições ambientais vão melhorar muito o escoamento das águas.
O projeto contempla a execução do trabalho em um trecho de mais de 20 quilômetros. Até o momento, mais de dois mil metros do rio já receberam a intervenção.
A ação é realizada por meio de recursos do Governo do Estado de Santa Catarina, em um investimento de R$ 1.415.000,00, e executada pela empresa Santa Catarina Dragagem Ltda.
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele altera a circulação dos ventos e das correntes marítimas, modificando o padrão de chuvas e temperaturas em várias partes do planeta.
Os efeitos do fenômeno variam de acordo com a região do país: No Sul, o principal é o aumento do volume de chuvas, o que frequentemente causa excesso de umidade, enchentes e temporais.