Suspeitas envolvem rotas sem interesse público, falta de transparência sobre motoristas e pagamentos de diárias
Foto: Divulgação Sob forte tensão política, a Câmara de São Ludgero iniciou os trâmites legais para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e abrir uma investigação independente contra o Executivo.
O estopim para a criação da comissão foi a suposta divergência entre as justificativas da prefeitura e os dados reais de rastreamento de dois veículos oficiais, um Onix e um Siena, apontados em plenário.
Nem mesmo a abertura de uma sindicância interna por parte do governo municipal recuou o bloco de vereadores, que se reuniu com assessores jurídicos nesta quinta-feira (21) para formalizar o fato e dar andamento ao pedido de abertura da CPI.
A denúncia começou a ganhar corpo há dois meses, no dia 16 de março. Na oportunidade, o plenário aprovou por unanimidade um requerimento de autoria da vereadora Maria Marlene Schlickmann. O documento exigia que a prefeitura fornecesse relatórios detalhados sobre as viagens de automóveis do município em datas específicas ao longo do ano de 2025.
De acordo com a parlamentar, requerimentos anteriores com o mesmo teor já haviam sido enviados ao Executivo, mas as respostas formais encaminhadas pelo governo não convergiam com a realidade observada nas ruas.
Maria Marlene obteve as planilhas e registros de rastreamento via satélite de dois carros específicos da frota municipal: um Chevrolet Onix (placa RYA8C31) e um Fiat Siena (placa REI5G25). De posse desses dados e fazendo uso da tribuna da Câmara, a vereadora apontou uma série de trajetos e deslocamentos que, em tese, não possuíam qualquer relação com agendas ou atividades institucionais da prefeitura.
O foco da futura comissão investigativa vai além do gasto de combustível. Na justificativa das suspeitas, os vereadores apontam para a necessidade de um controle rigoroso na concessão e recebimento de diárias por parte de agentes públicos, além da correta especificação das rotas para fins de empenho e pagamentos de valores indenizatórios.
Outro ponto considerado crítico pelos parlamentares é a ausência de transparência por parte do município em nominar quem eram os condutores que estavam efetivamente no volante dos carros oficiais nas datas mapeadas pelo rastreador.
Diante do desgaste e da pressão do bloco de oposição e de vereadores da base, a própria Prefeitura de São Ludgero confirmou a abertura de uma sindicância administrativa interna para apurar eventuais desvios de conduta na frota. O movimento do Executivo, contudo, não freou o parlamento. A maioria dos vereadores manteve a posição de que o Poder Legislativo tem o dever constitucional de realizar uma auditoria independente e transparente sobre as denúncias.
Após receberem as primeiras orientações legais da assessoria contratada nesta quinta-feira, os vereadores agendaram novas reuniões internas para os próximos dias. Nestes encontros, o bloco deve finalizar a redação do fato determinado e recolher as assinaturas para protocolar formalmente a abertura da CPI na secretaria da Casa.