Especialista explica a diferença entre arrendamento e parceria agrícola, destacando os desafios de escala e os custos que impactam o setor na região
Foto: Revista Cultivar/Reprodução Uma radiografia do setor produtivo no Sul de Santa Catarina revela um dado que pode surpreender quem está fora do meio rural: a grande maioria das lavouras de arroz da região não pertence aos produtores que as cultivam.
Segundo o engenheiro agrônomo e produtor rural Clair Teixeira de Souza, cerca de 75% da área de rizicultura local é composta por terras arrendadas, enquanto apenas 25% são cultivadas pelos próprios proprietários.
Clair, que atua em cidades como Tubarão, Treze de Maio e Jaguaruna e comanda a Plantar Agronomia há quatro décadas, discutiu o cenário em entrevista ao programa Revista H²O, da Rádio H²O FM, conduzido por Marcos Madeira. Segundo o especialista, essa é uma característica estrutural que define a dinâmica econômica do grão no estado.
O modelo de "aluguel" de terras é o que permite que muitos produtores alcancem a escala necessária para competir no mercado global. No entanto, essa estratégia é uma faca de dois gumes.
“Por um lado, o arrendamento é positivo porque confere escala em termos de produção. O produtor consegue uma área maior e, por consequência, pode investir mais, criando uma linha de custo que o ajude a atravessar períodos de crise”, explica Clair de Souza.
Por outro lado, o custo operacional se torna mais elevado. O agrônomo destaca que o pagamento pelo uso da terra consome, em média, um quarto de tudo o que é produzido. “Isso encarece a produção. Na maioria das atividades aqui, paga-se ao redor de 25% de arrendamento”, pontua.
Embora o termo "arrendamento" seja usado de forma generalista, Clair esclarece que existem distinções técnicas importantes no dia a dia do campo:
Arrendamento (aluguel fixo): O produtor paga um valor fixo por hectare. De acordo com o agrônomo, embora essa modalidade esteja em crescimento, ela ainda é minoria na região.
Parceria agrícola: É o modelo predominante no Sul de SC. “Neste processo, o produtor entrega uma parte da sua produção, que normalmente varia entre 20% e 28%, para o dono da terra como remuneração pelo uso da área”, detalha.
Um dos maiores obstáculos desse modelo é a insegurança jurídica ou contratual para investimentos de longo prazo. Como a agricultura é movida por ciclos de altos e baixos, a estabilidade na posse da terra é fundamental para a saúde financeira do rizicultor.
Clair projeta que, em um horizonte de dez anos, o produtor enfrentará ao menos três anos de prejuízo devido às oscilações de mercado e clima.
“Se você não tiver uma certa garantia dessa possibilidade de continuar plantando, quando o sistema voltar a ficar favorável novamente, você poderá estar fora do jogo. O custo alto dificulta o investimento a longo prazo, e a garantia de permanência na área é o que sustenta o produtor nos ciclos de baixa”, finaliza o especialista.
Ouça a entrevista completa no YouTube da Rádio H²O FM