Acusação aponta prática de atos libidinosos sem consentimento em estabelecimentos comerciais; fatos foram registrados por câmeras de segurança
Divulgação/Folha Regional O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ofereceu denúncia criminal contra um religioso acusado de cometer importunação sexual contra dois trabalhadores em estabelecimentos comerciais no município de Brusque, no Vale do Itajaí. Uma das vítimas é menor de idade, e ambos os ofendidos são do sexo masculino. Os fatos teriam ocorrido no mesmo dia, em um supermercado e em uma loja do mesmo espaço comercial.
O caso veio à tona após a Polícia Civil concluir o inquérito que indiciou o padre por importunação sexual em um estabelecimento comercial no bairro Santa Rita. O crime teria ocorrido na tarde do dia 1º de outubro de 2025, por volta das 12h30.
Segundo a apuração, o religioso, que se identificou como padre e educador religioso, entrou no comércio após observar um funcionário de 19 anos.
Segundo a denúncia, o religioso de 55 anos de idade teria encarado as vítimas de forma lasciva enquanto praticava atos libidinosos por cima da roupa, sem consentimento, e questionado os seus horários de saída do trabalho. As condutas foram registradas por câmeras de segurança e integram o conjunto de provas reunidas na investigação.
O MPSC enquadrou os fatos no crime de importunação sexual, previsto no artigo 215-A do Código Penal, por duas vezes e em continuidade delitiva.
Agora, caberá ao Poder Judiciário analisar o recebimento da denúncia e dar andamento à ação penal.
Relembre o caso
A investigação teve início a partir do registro da ocorrência e da análise das imagens das câmeras de segurança, consideradas fundamentais para a identificação do suspeito, que inicialmente era desconhecido.
Durante as diligências, a Polícia Civil conseguiu identificar o veículo utilizado pelo investigado, registrado em nome de uma entidade religiosa. O homem foi intimado e compareceu para prestar interrogatório.
Na oitiva, o padre negou qualquer intenção de cunho sexual ou de constranger o atendente. Ele afirmou que estava no local para comprar um presente e produtos para consumo pessoal.
Sobre os movimentos na região íntima, alegou que não teve intenção de constrangimento e que o comportamento teria ocorrido por conta de uma sensibilidade dermatológica.O investigado também declarou ter se sentido constrangido pela forma como era observado, sugerindo que o funcionário
poderia estar desconfiando de uma tentativa de furto.
Conclusão do inquérito
Apesar da versão apresentada pelo religioso, a Polícia Civil destacou que a análise das imagens, dos relatórios de investigação e dos relatos das vítimas levou ao indiciamento pelo crime de importunação sexual. A corporação ressaltou que a pena para o crime pode chegar a cinco anos de prisão.
Apesar da versão apresentada pelo investigado, baseada na justificativa de um problema de saúde dermatológica no momento, a Polícia Civil, após analisar as imagens do local, os relatórios de investigação e os relatos da vítima, concluiu pelo indiciamento do investigado pelo crime de importunação sexual, com pena que pode chegar a cinco anos de prisão”, destacou a corporação.