Lançamento da obra de Theo Santana traz conhecimento para abrir portas no mercado internacional
Foto: Luciane Tokarski/Folha Regional A Cidade Azul foi palco, nesta quinta-feira (12), de um reencontro entre as raízes catarinenses e a modernidade do Oriente. O consultor em negócios internacionais e tubaronense Theo Paul Santana lançou, em sua cidade natal, a obra “O Brasileiro que Decifrou a China”.
O evento, realizado na sede da Plantão Assessoria, reuniu empresários e entusiastas do mercado externo para ouvir de perto quem vive o sistema chinês "por dentro" há uma década e meia.
O livro não é apenas um relato de memórias; surge como um manual prático para quem deseja entender como o país pensa, negocia e decide, fugindo dos estereótipos de "produtos descartáveis" e revelando uma potência tecnológica. "Entender a China hoje é entender o futuro dos negócios", afirma Theo.
O autor relembrou o início de sua jornada, por volta de 2007, quando deixou o Sul de Santa Catarina com poucas informações confiáveis e muitos desafios. "Imagine sair daqui naquela época, explorar a China e conhecer esse país imenso. Foi uma experiência marcante. Na época, levei comigo apenas um mapa e um antigo celular", recorda o autor em entrevista à Folha Regional.
Hoje, doutorando em uma das universidades mais prestigiadas da Ásia (Shanghai Jiao Tong) e fundador da plataforma Destino China, Theo atua como ponte para grandes empresas brasileiras. No livro, ele descreve a transição que testemunhou de perto: a passagem da "China fábrica" para a "China tecnológica". "A China evoluiu e demonstrou que não se limita a produtos descartáveis. Atualmente, vemos tecnologia, robôs e inteligência artificial. Eles replicaram a trajetória do Japão, mas em uma escala monumental", pontua.
Um dos pontos centrais da obra é a explicação do conceito de Guanxi - a rede de relações e confiança que sustenta qualquer decisão comercial em solo chinês. Segundo Theo, muitos brasileiros falham nas negociações por ignorarem a cultura em favor do imediatismo.
"Na China, você não entra em um negócio pela porta da empresa. Entra pela porta da relação. O ocidental quer garantias jurídicas; o chinês quer garantias humanas. Aprendi que banquete aproxima, karaokê quebra o gelo e brinde abre conversa. Mas o contrato se defende com especificação técnica e procedimento", explica.
Para o autor, o choque cultural é o maior gargalo: enquanto o Brasil negocia olhando o próximo trimestre, a China planeja a próxima década. "Traduzir a China vai muito além de passar palavras de um idioma para outro. É traduzir mentalidade, hierarquia, tempo e risco", afirma o especialista.
Além de servir ao empresariado, o lançamento em Tubarão teve um viés educativo. Theo destaca que sua obra busca preencher a lacuna de informações imprecisas disponíveis na internet. "Meu objetivo é ajudar os jovens interessados em aprender mais sobre esse país fascinante e ainda pouco divulgado de forma correta", diz ele, reforçando que o Brasil, tendo a China como principal parceiro comercial, tem muito a ganhar com uma aproximação baseada em conhecimento estratégico.
A obra “O Brasileiro que Decifrou a China: 15 Anos Decifrando a China por Dentro” já está disponível e consolida a visão de um tubaronense que se tornou referência internacional, provando que, para conquistar o mundo, é preciso primeiro entender quem o move.