A lista saiu e o nosso divã esportivo está oficialmente lotado! A convocação de Carlo Ancelotti trouxe o pacote completo: a qualidade técnica inegável de Neymar Jr. e aquele combo de polêmicas que vem junto com o craque. Mas se engana quem pensa que misturar futebol e divã é coisa nova.
A nossa Seleção é pioneira nisso: desde a Suécia, em 1958, o Brasil trabalha a mente de seus atletas. Na época, o psicólogo João Carvalhaes chegou a vetar o jovem Pelé por achá-lo “infantil”. Sorte que a comissão não ouviu, o Rei jogou e fomos campeões. Agora, corta para o presente, e o desafio mental atende pelo nome de Neymar.
Analisar o camisa 10 hoje é quase um estudo de caso. Por um lado, o cara mostrou resiliência ao superar uma grave lesão e lutar pelo ritmo no Santos. Por outro, os velhos gatilhos emocionais continuam lá. O descontrole ao ser substituído contra o Coritiba e a séria polêmica nos treinos com o jovem Robinho Jr. mostram que sua tolerância à frustração ainda é um campo minado. Ele convive com a marca de maior artilheiro da amarelinha e a de atleta polêmico.
Os rompantes ‘nervosos’ de Neymar costumam ser na psicologia um clássico mecanismo de defesa para esconder a vulnerabilidade. Quando o técnico Carlo Ancelott declarou que Neymar terá a mesma responsabilidade dos outros 25 e só jogará se merecer, o italiano deu uma aula de gestão terapêutica, pois, ao mesmo tempo que valida Neymar, também o coloca no mesmo grau de importância dos outros atletas convocados. O Mister quebrou a máxima na Seleção de eleger um “salvador da pátria”, jogando o peso do mundo nas costas de apenas um jogador.
O técnico da Seleção simplesmente descentralizou o foco e dividiu a conta com o elenco. Ele sabe que blindar jovens como Endrick e gerenciar o ego de astros veteranos exigem inteligência emocional pura.
Como bem diz o renomado psicólogo esportivo João Ricardo Cozac: “o equilíbrio de uma equipe não se constrói blindando o atleta do mundo, mas ensinando-o a lidar com a frustração”. É nessa maturidade que mora a nossa esperança. Sob o comando de Don Carlo, o caminho para o hexa se conquista primeiro na mente para depois transbordar no campo.

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