Guilherme Medeiros Martins, também presidente do PT em Laguna, defende o diálogo com as bases, a aproximação com outros grupos políticos e o alinhamento das ações entre os municípios
Willian Reis/Folha Regional “A gente precisa de mais militância, a gente precisa voltar para a militância e construir com ela. A gente tem um mote que é transformar filiado em militante. A gente precisa transformar filiado em militante.” A afirmação é do novo coordenador da microrregião da Amurel do PT, Guilherme Medeiros Martins, também presidente do partido em Laguna, em visita à sede da Folha Regional, em Tubarão.
À frente da microrregião desde fevereiro, Guilherme defende o retorno às bases e aos filiados. “Muitos estão filiados, mas muitos não estão militantes. Então, a gente precisa trazer de volta essa militância. Conversar um pouco mais, abrir mais espaço para diálogo”, diz.
A microrregião do PT funciona como uma instância de articulação e suporte. A ideia do coordenador é preparar um planejamento estratégico entre os municípios para alinhar ações e interesses, respeitando a particularidade de cada lugar. Na Amurel o PT está em 12 cidades e a meta é chegar a mais seis delas, pelo menos por meio de coordenações provisórias.
Para a eleição deste ano o partido na região também já iniciou as articulações. Maristela Francisco, que disputou a prefeitura de Tubarão no último pleito, é pré-candidata à deputada estadual. Também não está descartada a possibilidade de o vereador Matheus Madeira, de Tubarão, ser suplente de senador na chapa encabeçada por Décio Lima, presidente do Sebrae, ao Senado. Aparecida da Silva, de Laguna, hoje suplente de deputada federal, está também cotada para ser pré-candidata a alguma vaga da majoritária pelo partido.
PT em Laguna e a aproximação com Preto Crippa
Em Laguna, onde Guilherme também é o presidente municipal do PT, o partido retornou à Câmara na última eleição com a vitória de Tanara Cidade, atual presidente do Legislativo. Guilherme reconhece que o resultado se deve, em grande medida, à dobradinha com o PCdoB.
“A partir disso, a gente tem um novo passo, que é um partido hoje em Laguna com mandato. Hoje o PT em Laguna está estruturado”, avalia.
Guilherme assumiu a presidência em outubro e deu início ao planejamento estratégico do partido. Há poucos dias o PT fez uma reunião ampliada para ouvir a base. Em Laguna, onde o presidente diz que o partido tem um bom diálogo com a direita, com exceção do que chama de extrema-direita, o PT é parte do governo de Preto Crippa, ex-PL e hoje filiado ao Republicanos desde outubro.
“Temos um acordo na política que mantém a governabilidade do Preto, mas sempre mantendo separadas as nossas convicções. Tudo que for bom para a cidade a gente vai apoiar. Mas, em contraponto, jamais vamos apoiar algo que seja contrário à nossa ideologia e ao bem da população. Então é uma posição neutra do PT em relação ao prefeito”, avalia.
Para a próxima eleição municipal, ainda um pouco distante no horizonte político, o partido cogita hoje buscar a reeleição de Tanara Cidade e ampliar a bancada na Câmara. “A gente precisa de mais lideranças para saírem candidatos. A gente tem dialogado muito com essas lideranças. O PT precisa voltar a ser uma ferramenta social”, comenta Guilherme.
Reeleição de Lula e os desafios em SC
No PT, a prioridade é a busca pela reeleição do presidente Lula. Para isso, em Santa Catarina, há um direcionamento para buscar outras bases, não só da esquerda, mas também do centro e da centro-direita. É também por isso que Gelson Merisio deve ser o candidato de Lula ao governo do Estado. “O Merisio vem com esse papel de ampliação desse palanque”, avalia Guilherme.
Para ele, o partido precisa fazer um trabalho de conscientização com os eleitores. “Temos um fascismo muito forte dentro do Estado. A gente precisa fazer um trabalho de conscientização da população, inclusive sobre o PT. Muitas pessoas ainda têm uma imagem de um partido, de corrupção e aquelas questões todas. Mas é o PT que defende a população”, afirma.
Guilherme avalia que a votação de Lula pode crescer no Estado e acredita que a disputa com Flavio Bolsonaro (PL) vai servir para comparar o atual governo petista com o antecessor.
“Flavio Bolsonaro vem com o nome da família. Ainda tem uma bolha de desinformação e fake news que mantém as pessoas afastadas da realidade. A bolha é prejudicial, e vamos ter que enfrentar. É importante vir o Flavio Bolsnaro, porque a gente precisa comparar. Qual foi a grande obra de Bolsonaro?”, opina.