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COLUNISTAS

Aposta tributária: o risco escondido na antecipação do Simples Nacional

19/05/2026 23h38 | Atualizada em 19/05/2026 23h38 | Por: Maurício Dobiez

Durante anos, a escolha do regime tributário no Brasil foi uma decisão importante, mas relativamente previsível no calendário empresarial. Contadores, empresários e gestores tinham praticamente o ano inteiro para analisar números, entender tendências e projetar cenários antes de decidir entre Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real.

O cenário começa a mudar - e talvez em um dos momentos mais delicados da história tributária do país. A antecipação da opção do Simples Nacional para setembro surge em meio à implementação da Reforma Tributária. E é aqui que mora o problema.

Enquanto empresas ainda tentam compreender os impactos da CBS, da futura substituição do PIS e da Cofins e das mudanças estruturais no modelo de arrecadação, o governo reduz o tempo de maturação para uma decisão estratégica que afeta fluxo de caixa, margem de lucro, formação de preço e competitividade.

Na prática, muitas empresas terão que decidir “no escuro”. E esse talvez seja o ponto mais preocupante.

Planejamento tributário sério nunca foi simplesmente escolher o regime que aparentemente paga menos imposto. Uma análise responsável envolve margem operacional, perfil de clientes, possibilidade de aproveitamento de créditos, folha de pagamento, crescimento projetado, cadeia de fornecedores, estrutura societária e comportamento do mercado. Com a Reforma Tributária, esse cuidado precisará ser ainda maior.

A lógica tributária brasileira está mudando. O sistema baseado em cumulatividade, distorções e inúmeras interpretações começa a dar espaço para um modelo mais focado em crédito financeiro, transparência e incidência ampla sobre consumo. Isso altera setores inteiros da economia.

O empresário que antes analisava apenas “quanto paga hoje” precisará começar a analisar “como sua operação funcionará amanhã”. E essa mudança exige tempo, estudo, projeção, planejamento.

Antecipar a escolha do Simples Nacional em um ambiente de transição tão intenso pode transformar uma decisão técnica em aposta empresarial. E apostas raramente combinam com gestão financeira saudável.

Talvez 2026 fique marcado como o ano em que planejamento tributário deixou de ser diferencial e passou a ser questão de sobrevivência estratégica. Porque, no novo cenário tributário brasileiro, errar o enquadramento pode custar muito mais caro do que pagar imposto.

Novo Pronampe: oportunidade ou armadilha?

12/05/2026 21h42 | Atualizada em 12/05/2026 21h42 | Por: Maurício Dobiez

Nos últimos dias, o Governo Federal anunciou novas medidas dentro do programa de crédito para micro e pequenas empresas, e a manchete naturalmente chama atenção: “Empresas poderão acessar até R$ 500 mil em crédito”. 

Em um país onde muitas empresas sobrevivem no limite do caixa, uma notícia como essa desperta interesse. Mas existe um ponto importante que o empresário precisa entender: crédito não resolve problema de gestão. Crédito apenas compra tempo. E saber usar esse tempo pode definir quem cresce e quem apenas adia uma crise.

O chamado “novo Pronampe”, dentro das medidas ligadas ao Desenrola para empresas, trouxe mudanças relevantes: mais prazo, mais carência, maior tolerância para inadimplência e ampliação dos limites de crédito. Na prática:

* empresas podem ter até 24 meses de carência;

* prazo total chegando a 96 meses;

* tolerância maior para atrasos;

* e operações que podem alcançar até R$ 500 mil, dependendo do porte e análise bancária.

O governo também ampliou o uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que reduz parte do risco dos bancos e facilita a concessão do crédito.

Mas aqui começa a parte que pouca gente fala. Muitos empresários confundem acesso a crédito com geração de lucro. E são coisas diferentes.

Se uma empresa já opera com:

* margem apertada;

* descontrole financeiro;

* precificação errada;

* despesas desorganizadas;

* ou dependência de capital de terceiros... o crédito apenas prolonga um problema que já existe. É como colocar combustível em um carro desalinhado: ele continua andando... mas continua desgastando.

Por outro lado, empresas organizadas podem transformar esse movimento em estratégia.

Trocar dívidas caras por linhas mais longas, reorganizar fluxo de caixa, preservar capital de giro e ganhar fôlego para investir pode fazer total sentido — principalmente em um cenário de juros elevados e desaceleração econômica. O empresário inteligente não olha apenas para “quanto consegue pegar”.

Crédito saudável é ferramenta de crescimento. E talvez essa seja a maior reflexão do novo Pronampe: o problema nunca foi apenas acesso ao dinheiro. O verdadeiro desafio continua sendo gestão.

Você tem uma equipe… ou apenas um bando?

05/05/2026 22h04 | Atualizada em 05/05/2026 22h04 | Por: Maurício Dobiez

Nem todo grupo de pessoas trabalhando junto pode ser chamado de equipe. A cena é comum: gente entrando e saindo, reuniões acontecendo, mensagens sendo trocadas o tempo todo. Existe movimento, existe esforço, existe até boa intenção. Mas, no fim do dia, o resultado não acompanha.

E então vem a pergunta que poucos fazem — ou evitam responder com honestidade: isso é uma equipe… ou apenas um bando?

O bando também trabalha. O bando também se comunica. O bando também se esforça. Mas faz tudo isso sem direção clara, sem responsabilidade compartilhada e, principalmente, sem alinhamento. Cada um resolve o que está ao seu alcance, da sua forma, no seu tempo. O problema é que, nesse modelo, o todo nunca é maior que as partes — ele é apenas a soma de esforços desconectados.

Já a equipe é outra lógica. Equipe não é sobre proximidade, é sobre alinhamento. Não é sobre ter pessoas boas, é sobre ter pessoas conectadas a um objetivo comum, com papéis definidos, metas claras e responsabilidade que não pode ser transferida. Em uma equipe de verdade ninguém “ajuda” o resultado — todos são responsáveis por ele.

E aqui está o ponto que mais incomoda: na maioria das vezes, o problema não está nas pessoas.

Empresários costumam buscar mais gente, mais contratação, mais estrutura… quando, na prática, ainda não transformaram o que já têm em uma equipe de verdade. Falta clareza de meta. Falta rotina. Falta medição. Falta liderança que organize, cobre e direcione.

Sem isso, qualquer grupo — por melhor que seja — vira um bando bem-intencionado. E o risco do bando é silencioso. Porque ele dá a sensação de funcionamento. Existe atividade, existe barulho, existe esforço. Mas não existe consistência. Não existe previsibilidade. E, principalmente, não existe crescimento sustentável.

Transformar um bando em equipe não exige, necessariamente, mais pessoas. Exige mais direção.

Exige definir o que precisa ser feito, quem é responsável por cada etapa e como o resultado será medido. Exige estabelecer padrão, criar rotina e, acima de tudo, sustentar isso com liderança.

No final, a diferença é simples — mas decisiva: gente junta gera movimento. Gente alinhada gera resultado.

E empresa que cresce não é a que tem mais gente. É a que tem mais equipe.

Negócios que atravessam fronteiras não competem por preço

21/04/2026 22h12 | Atualizada em 21/04/2026 22h12 | Por: Maurício Dobiez

Há um movimento silencioso que diferencia o empresário comum daquele que realmente constrói vantagem competitiva: a decisão de sair do seu próprio ambiente para enxergar o jogo de fora.

Não se trata apenas de viajar. Trata-se de reposicionamento mental.

Quando um empresário cruza fronteiras, ele não está, necessariamente, buscando preço. Está buscando compreensão. Porque preço, no fim, é consequência de estrutura — e estrutura só se entende quando se observa a origem.

O mercado local tende a criar uma ilusão confortável: a de que aquilo que está disponível é o suficiente. 

Fora desse recorte, existem novos modelos produtivos, outras formas de negociação, escalas diferentes, margens estruturadas de maneira mais eficiente e, principalmente, uma mentalidade orientada à inovação contínua.

E aqui está o ponto central: inovação não é, necessariamente, tecnologia de ponta. É a capacidade de enxergar alternativas antes dos outros. É antecipar movimentos.

O empresário que se expõe a novos mercados começa a perceber padrões. Entende onde está o custo real, onde está o excesso, onde estão as ineficiências invisíveis que, no dia a dia, passam despercebidas.

Mais do que isso, ele passa a questionar o “sempre foi assim”.

E essa é, talvez, a pergunta mais perigosa — e mais poderosa — dentro de qualquer negócio.

Porque muitas estruturas empresariais não são mantidas por estratégia, mas por inércia.

Ao acessar novos ecossistemas, o empresário amplia seu repertório. E repertório, no mundo dos negócios, se traduz diretamente em margem.

Não por reduzir preço ao cliente, mas por redesenhar o custo de forma inteligente.

Há também um elemento menos tangível, porém decisivo: o senso de direção.

Quem enxerga o que está acontecendo fora consegue perceber tendências antes que elas se tornem óbvias. E, no mercado, o óbvio costuma chegar tarde — e caro.

Enquanto muitos ainda discutem como vender melhor, alguns já estão repensando o que vender, como produzir e, principalmente, de onde extrair valor.

Esse movimento exige desconforto. Exige sair da rotina operacional e investir tempo em algo que não gera resultado imediato, mas constrói uma vantagem que poucos conseguem replicar.

Porque, no fim, não se trata de acompanhar o mercado. Trata-se de entender para onde ele está indo — e chegar antes.

Não é o mais forte que cresce - é o que muda mais rápido

07/04/2026 22h20 | Atualizada em 07/04/2026 22h20 | Por: Maurício Dobiez

O mercado não avisa quando muda. Não manda e-mail. Não agenda reunião. Não pede autorização. Ele simplesmente muda. E quem não percebe… fica para trás sem entender exatamente por quê.

Durante muito tempo, acreditou-se que empresas fortes eram aquelas com mais estrutura, mais capital, mais tempo de mercado. E sim, isso ainda ajuda. Mas deixou de ser suficiente.

Hoje, o diferencial não está mais na força. Está na velocidade de adaptação.

Empresas que crescem não são necessariamente as maiores — são as que conseguem ajustar rota mais rápido. Mudam preço quando precisam. Revisam processo sem apego. Trocam estratégia sem ego.

Enquanto isso, muitas outras continuam fazendo exatamente o que sempre fizeram. Não porque está dando certo… mas porque sempre foi assim. E esse é o ponto mais perigoso.

Porque o mercado não pune quem erra. Ele pune quem demora para perceber que está errando.

A verdade é que adaptação não tem nada a ver com fraqueza. Pelo contrário. Exige maturidade, leitura de cenário e, principalmente, coragem.

Coragem para abandonar o que já funcionou. Coragem para rever decisões. Coragem para admitir que o contexto mudou. E isso não é simples.

Tem empresa hoje faturando bem… mas com modelo ultrapassado. Tem empresário trabalhando muito… mas na direção errada. Tem operação rodando… mas perdendo eficiência sem perceber.

Tudo isso porque existe uma resistência silenciosa à mudança. Só que o mercado não negocia com resistência. Ele avança.

Quem cresce é quem aprende a se ajustar antes que seja obrigado a mudar. No fim, não vence o mais inteligente, nem o mais estruturado. Vence quem entende o jogo mais rápido do que ele muda.

E a pergunta que fica é simples: Você está evoluindo… ou só repetindo o que sempre fez?

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