Quinta-feira, 25 de junho de 2026 QUEM SOMOS COLUNISTAS PUBLICAÇÕES LEGAIS CONTATO
Tubarão/SC
19 °C
3 °C
Rádio H2O
COTIDIANO

152 anos de Tubarão: “Queremos chegar a 2050 com a melhor qualidade de vida do Brasil”, diz Ponticelli

Prefeito de Tubarão avalia as ações de governo e lista as prioridades para promover o desenvolvimento local

Por Redação

Às vésperas do seu aniversário de 152 anos, celebrado nesta sexta-feira, dia 27, Tubarão enfrentou um momento desafiador: o transbordamento do rio que dá nome à cidade, deixando uma marca de destruição e prejuízo. Projetos e investimentos começam a ser anunciados pelo poder público para mitigar seus efeitos. Mas Tubarão também tem grandes conquistas para serem comemoradas. 

Joares Ponticelli, prefeito municipal, recebeu a Folha Regional em seu gabinete para uma entrevista em que avalia as ações de governo e lista as prioridades para promover o desenvolvimento local.


Apesar de ter sido um momento difícil, o município, na medida do possível, soube lidar bem com a cheia do Rio Tubarão. Daqui para frente, o que já está em discussão para lidar com esse problema? Quais são os projetos?

Foi mais um desafio que a natureza impôs ao nosso tempo de governo. Assumimos a cidade no pós-vendaval, depois tivemos de enfrentar problemas de estiagem, que causou grandes prejuízos ao setor primário, a salinização do rio, a pandemia, que foram dois anos de problemas para o mundo, e agora esse revés das cheias, que causou grandes prejuízos. Já implementamos algumas medidas para minimizar esse impacto. Estamos antecipando o Refis e solicitamos também autorização da Câmara para prorrogar a validade das Certidões Negativas de Débito, até porque o Estado está sinalizado com uma linha de crédito de recuperação no Badesc. Estamos adotando todas as providências para não criar dificultadores. Inclusive as empresas que estão com execução fiscal, a gente vai suspender ao longo desse período.

 No setor agropecuário, possivelmente o mais afetado, estamos em conversa com o Estado para obter recursos do programa Reconstrói, além de outros programas que – a gente espera – o Estado possa colocar à disposição. Estamos fazendo o levantamento de áreas institucionais do município para buscar junto ao Estado recursos para a construção de habitações para famílias que tiveram suas casas comprometidas. Acho que vamos passar de 50. Mas o importante é que preservamos todas as vidas. Os prejuízos materiais se recompõem com o esforço que vamos fazer.


Como o município sai dessa situação? Quais os aprendizados?

Saímos desse processo mais maduros, com mais aprendizado, com mais vigor. Isso não nos desanima. Pelo contrário. Isso só nos fortalece para a gente continuar esse momento bom que a cidade vive de um grande volume de obras. Estamos retomando as reuniões semanais para acompanhar o desenvolvimento dessas obras. É um volume de R$ 50 milhões de obras em execução. De forma que a cidade vive um momento único e importante, de franco desenvolvimento. Mas, depois desse episódio, a gente não pode deixar de colocar esse assunto na pauta definitivamente. Pretendemos fazer um grande evento no começo do mês de junho, juntando todos os municípios contemplados pela nossa bacia hidrográfica, trazendo diversos atores, para avaliarmos quais as ações mitigatórias desses efeitos, porque evitar não tem como. Precisamos definir se a saída é desassoreamento, barragens, ou qual a solução definitiva, para termos o menor impacto possível nesses eventos. Necessitamos de ações concretas.


Quanto ao desenvolvimento do município, quais as prioridades? O que o município planeja para atrair novos investimentos?

Estamos concluindo a segunda etapa de doação dos terrenos do Parque Empresarial José Roberto Tournier. Oito empresas estão com as obras em execução, algumas para começarem a operar ainda neste ano. Temos como prioridade adquirir uma nova área industrial, uma vez que a demanda ainda é muito grande, para a gente apoiar não só as empresas que vêm de fora e pretendem empreender aqui, mas também apoiar as empresas locais que têm interesse na expansão. Melhoramos muito nossos programas de incentivo, conseguimos avançar nos subsídios e estamos trabalhando muito com o setor educacional para a formação de mão de obra de acordo com as demandas. Temos o programa Geração 2050, que estimula os estudantes para a área de tecnologia e inovação. Estamos com o Centro de Inovação na reta final de conclusão e início de operação, o que deve ocorrer na virada do primeiro para o segundo semestre. Cerca de 85% do espaço já está com manifestação de interesse de empresas. Acreditamos que vamos alavancar muito este setor também.


Com o Centro de Inovação, a ideia é tornar a cidade um polo de tecnologia?

Já somos. Pela energia do setor privado, a gente já está com essa área de tecnologia e inovação muito avançada. É um grande gerador de emprego, tributo e renda da cidade. E o Centro de Inovação vai fomentar ainda mais suas atividades. O processo de chamamento das empresas deve ocorrer até o fim deste mês.

Como se vê, outra prioridade do município, uma de suas bandeiras, é a educação.

Dessa ninguém abre mão. Buscamos manter a fila de creche zerada, que é talvez a maior conquista no setor educacional. Mas com grande investimento em curso de ampliação, reforma e substituição de prédios escolares. Até o final do mandato, no ritmo que estamos indo, vamos entregar uma rede física das 46 escolas totalmente reformada e revitalizada. Além disso, estamos investindo também na qualificação e motivação de pais, professores e aluno, para que a gente consiga transformar esses investimentos em elevação da nossa qualidade de ensino também.


Quais gargalos o município precisa enfrentar?

Continuar esse volume de investimentos na área de infraestrutura. Passamos um longo período sem investimentos fortes nessa área. Por exemplo, ficamos 40 anos sem construir uma nova ponte sobre o Rio Tubarão. Já entregamos uma, e a nova ponte ligando Tubarão a Capivari, nessa saudável parceria dos dois municípios com o Estado, também deve acelerar o nosso desenvolvimento, como é o caso também da Rodovia Ageu Medeiros. Estamos investindo muito nos bairros e interior. Obras que vão levar desenvolvimento para outras regiões, como Caruru, Rio do Pouso e Lageado. Estamos espalhando investimentos em todo o município para que ele possa crescer de forma homogênea.


Em saúde, Tubarão já é uma referência. Como manter esta conquista?

Conseguimos evoluir muito, nas UBSs, no Centro de Referência da margem direita, em Oficinas. Estamos na reta final das obras do Centro de Referência Dr. Manoel Bertoncini, na margem esquerda, que pretendemos colocar em operação ainda no segundo semestre, para atender até 22h, ou meia-noite, dependendo da necessidade.


Até o ano passado, o senhor fazia críticas ao governo do Estado pela falta de apoio e investimento na cidade. Mas de uns meses para cá, o Estado passou a ser mais presente. Como foi essa guinada?

Aquelas cobranças são coisas do passado. Conseguimos evoluir, acho que amadurecemos, tanto o município quanto o Estado. O governador Carlos Moisés tem dado demonstrações de comprometimento e parceria jamais vistas com nosso município. Então temos que saber reconhecer também, porque são obras até cinquentenárias, que estávamos esperando. Graças a essa boa e saudável parceria com o governo do Estado, estamos conseguindo tirá-las do papel.


De olho no futuro, qual marca o senhor quer deixar de sua gestão para a cidade?

De uma cidade que, em nosso tempo de governo, avançou em todas as áreas. Nosso governo tem feito um esforço grande, temos procurado colocar todas as áreas na lista de prioridades. Não tem nenhum setor do governo que não tenha merecido atenção. Estamos com várias frentes de trabalho para a gente, ao fim do governo, entregar um município com muito mais resultados e pronto para os desafios, com planejamento de cidade, que é o programa Tubarão 180º. Queremos chegar a 2050 tendo aqui a melhor qualidade de vida do Brasil.

Compartilhar: