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Após quase duas horas de protesto, indígenas liberam trânsito na BR-101, em Palhoça

Os manifestantes queimaram pneus na pista, contrariando pedido da PRF. Indígenas permanecem protestando às margens da rodovia

Por Redação Folha Regional

Após quase duas horas de protesto, com bloqueio na BR-101, na região do Morro dos Cavalos, em Palhoça, a pista foi liberada, no final da manhã desta terça-feira, dia 30.

O protesto dos indígenas é contra o marco temporal, que prevê a demarcação de terras indígenas ocupadas ou sob disputa até a data da Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988. Nesta terça, o assunto deve ser analisado na Câmara dos Deputados.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o bloqueio iniciou por volta das 10h40 e ocorreu nos dois sentidos da rodovia e foi liberado por volta do meio-dia. A estimativa é de que entre 60 e 80 pessoas participaram da manifestação no local.
Conforme a Arteris Litoral Sul, concessionária que administra a via, o congestionamento chegou a 1,5 quilômetros em ambos os sentidos da rodovia.

Por volta das 11h20, equipes da PRF faziam a limpeza na pista no sentido Sul, que foi liberada. Já no sentido Norte, a liberação ocorreu por volta do 12h. A PRF afirma que indígenas continuam protestando ás margens da rodovia. 

A discussão sobre o marco temporal indígena voltou à tona porque o STF tem previsão de retomar em 7 de junho um julgamento para decidir a constitucionalidade dessa tese jurídica.
A Corte fará isso ao julgar especificamente uma ação judicial que trata de um território sob disputa em Santa Catarina. Diferentemente do caso de Roraima, a decisão de agora terá o que a Justiça chama de repercussão geral: ou seja, vai fundamentar outros cerca de 80 casos parecidos e definir os rumos de mais de 300 demarcações pendentes no país.

“O povo Guarani é contra o marco temporal porque desde sempre o povo Guarani existiu no Brasil, e hoje no Brasil eles querem tirar o nosso direito de existência do nosso território, que é o nosso território tradicional. Não existem outros lugares no Brasil que não existe o povo Guarani. Então, hoje a nossa luta é pela nossa existência “, diz Eliara Antunes, cacica do Morro dos Cavalos.
 

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