Audiência discute futuro da indústria do plástico que movimenta cerca de 60 mil empregos no sul de SC
O encontro reuniu mais de 500 participantes em São Ludgero para discutir os impactos de projetos de lei que restringem o uso de plásticos descartáveis e multicamadas
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal realizou nesta sexta-feira (26), em São Ludgero, uma audiência pública para discutir os impactos da agenda legislativa sobre a indústria do plástico, a reciclagem e a economia circular.
A realização de uma audiência oficial do Senado Federal fora de Brasília e em território catarinense foi destacada pelo senador Esperidião Amin como um reconhecimento à importância econômica e social da região, que concentra indústrias, trabalhadores da reciclagem, catadores e iniciativas inovadoras voltadas à sustentabilidade.
“Não é normal que isso aconteça, e essa audiência é uma homenagem a uma região que concentra empreendimentos e trabalhadores: catadores, recicladores. Temos o dever de primeiro, diagnosticar o problema e, segundo, oferecer soluções práticas e reais”, afirmou Esperidião Amin durante a abertura dos trabalhos.
CLIQUE AQUI E ASSISTA AO VÍDEO
O encontro reuniu mais de 500 participantes para discutir os impactos de projetos de lei que restringem o uso de plásticos descartáveis e multicamadas, além do Decreto nº 12.644/2025, que instituiu a Estratégia Nacional Oceano sem Plástico.
A audiência foi realizada no Sul catarinense justamente por concentrar um dos maiores polos da indústria do plástico do país, responsável por cerca de 240 empresas, movimentação anual de R$ 6,3 bilhões e aproximadamente 60 mil empregos diretos e indiretos na região.
Lideranças do sul
Participaram da audiência o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (Sinplasc), Elias Caetano; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Descartáveis e Embalagens Flexíveis de Criciúma e Região, Carlos de Cordes; o coordenador do Instituto Oceanográfico da USP e da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, Alexander Turra; o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Paulo Teixeira; o representante da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Thiago Rocha Fabris; e o presidente da Federação dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Santa Catarina (Feccat), Dorival Rodrigues dos Santos.
A audiência também contou com a expressiva participação de lideranças políticas da região Sul catarinense, entre elas os deputados estaduais José Milton Scheffer, Volnei Weber e Pepê Collaço, além dos prefeitos Fernando Cruzetta (Orleans), Vagner Espíndola (Criciúma), Dalvania Cardoso (Içara), Paulinho Lorenzetti (São Ludgero), Valdir Fontanella (Lauro Müller), Ademir Magagnin (Cocal do Sul) e Luiz Laurindo (Balneário Rincão).
Também estiveram presentes vereadores, vice-prefeitos, lideranças empresariais, representantes de entidades da região Sul do Estado, cooperativas de reciclagem, associações de catadores, sindicatos, universidades e integrantes do setor produtivo, reforçando a relevância do tema para a economia e para a sustentabilidade catarinense.
Preservação de empregos
Ao longo da audiência, os participantes defenderam que a sustentabilidade deve caminhar ao lado da preservação dos empregos, da inovação tecnológica e do fortalecimento da reciclagem. Houve consenso de que a solução passa pela modernização dos processos produtivos, pela educação ambiental e pela responsabilidade compartilhada entre governos, empresas e sociedade.
Uso de materiais recicláveis
Durante o encontro, Amin também sugeriu que prefeitos e parlamentares estaduais priorizem catadores e trabalhadores da reciclagem em programas habitacionais, além de estimular o uso de materiais recicláveis nas construções.
Outro destaque da audiência foi a apresentação do Projeto Defesa Circular, que terá seu projeto-piloto implantado no município de Orleans. A iniciativa prevê ações integradas para fortalecer a cadeia produtiva dos resíduos recicláveis, incluindo uma central de triagem e uma usina de valorização de rejeitos, com potencial para permitir a reciclagem de 100% dos resíduos gerados no município.
Para o senador Esperidião Amin, Santa Catarina tem condições de liderar um modelo nacional que concilie desenvolvimento econômico, geração de empregos e preservação ambiental.
“A audiência mostrou que é possível construir soluções equilibradas, ouvindo quem produz, quem trabalha, quem pesquisa e quem atua na reciclagem. Precisamos enfrentar o problema ambiental sem destruir empregos e sem comprometer atividades econômicas fundamentais para Santa Catarina e para o Brasil”, concluiu.
Apreensão da indústria
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Paulo Teixeira, as empresas têm que decidir se vão efetivamente investir em logística reversa para cumprir o Decreto 12.644 ou se vão parar de produzir o plástico de uso único porque será banido.
"São sinais, ruídos, e isso atrapalha a nossa economia. Nós estamos trabalhando com o decreto, mas muito apreensivos, porque a qualquer momento todos os investimentos que a gente fez para a logística reversa podem ser inócuos ou não servir para nada e ser dinheiro jogado fora", afirmou.
Representante da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Thiago Rocha Fabris destacou a importância econômica do setor plástico para a região. Segundo ele, a previsão do consumo de plástico até 2060 é de até 1,2 bilhão de toneladas, o que exige soluções por parte dos setores da economia circular.
Presidente da Federação dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Santa Catarina (Feccat), Dorival Rodrigues dos Santos disse que há hoje 30 mil catadores, 70% deles mulheres, atuando em Santa Catarina de forma autônoma na coleta de materiais recicláveis, sem estarem vinculados a uma cooperativa ou associação.
