Anvisa aprova tratamento inovador contra câncer agressivo no sangue
Aprovação amplia alternativas de tratamento para pacientes que não respondem à quimioterapia convencional.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novas indicações para o medicamento Tibsovo (ivosidenibe), desenvolvido pelo laboratório Servier. O fármaco passa a ser uma opção de tratamento para adultos diagnosticados com leucemia mieloide aguda (LMA) que apresentam mutação no gene IDH1, condição identificada por meio de exames genéticos.
Essa aprovação é considerada um avanço importante, já que a LMA é uma doença agressiva, de rápida evolução e que representa de 20% a 30% dos casos de leucemia no Brasil.
O que é leucemia mieloide aguda?
A leucemia mieloide aguda é um tipo de câncer que compromete as células da medula óssea, dificultando a produção de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. Isso leva a sintomas como:
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fadiga intensa,
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maior risco de infecções,
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sangramentos frequentes.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil registra cerca de 11,5 mil novos casos de leucemia por ano, e a LMA representa até 3,4 mil desses diagnósticos anuais.
Como funciona o Tibsovo no tratamento da LMA?
O Tibsovo é uma terapia-alvo. Isso significa que ele atua diretamente na mutação genética IDH1 R132, encontrada em alguns pacientes. A aprovação da Anvisa contempla dois grupos:
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Pacientes recém-diagnosticados com mutação em IDH1 que não podem receber quimioterapia intensiva, em combinação com outro medicamento, a azacitidina.
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Pacientes com a mutação IDH1 que não responderam ao tratamento anterior.
Resultados que aumentam a sobrevida
A decisão foi baseada em estudos clínicos de fase 3 que mostraram benefícios relevantes:
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A combinação de Tibsovo com azacitidina elevou a sobrevida média para 29,3 meses, contra 7,9 meses do grupo controle.
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O risco de morte foi reduzido em 56%.
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Quase metade dos pacientes alcançou remissão completa da doença.
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Muitos deixaram de precisar de transfusões de sangue, ganhando mais qualidade de vida.
O que dizem os especialistas?
Para Fabio Pires, hematologista do Hospital Israelita Albert Einstein, os resultados reforçam a relevância da aprovação:
“A combinação é uma opção eficaz e bem tolerada, trazendo esperança para uma população que antes tinha poucas alternativas de tratamento.”
A diretora de Oncologia da Servier do Brasil, Fernanda Salek, também destacou o impacto da decisão:
“O Tibsovo introduz no Brasil a primeira terapia direcionada para pacientes com leucemia mieloide aguda e mutação em IDH1, oferecendo uma alternativa concreta para casos de difícil manejo.”
Por que essa aprovação é importante?
A chegada do Tibsovo amplia as opções para médicos e pacientes, principalmente em casos em que a quimioterapia não é viável ou já não surtiu efeito. Trata-se de um marco para a oncologia no Brasil, trazendo um recurso inovador que pode prolongar a vida e reduzir o sofrimento de pessoas diagnosticadas com a LMA.
